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quarta-feira, abril 20, 2005
 
Algarve Tradicional
Publicado no Jornal do Algarve


Quando se fala na saída dos centros de decisão do país, penso sempre na aplicação deste conceito à nossa região.

As empresas que dinamizam a economia regional são normalmente controladas por pessoas, individuais ou colectivas, externas à região.

Os centros de decisão políticos estão em Lisboa, com uma curta descentralização da Secretaria de Estado do Turismo, que deverá voltar para a capital. O que nos resta? Resta-nos um poder autárquico que não está institucionalmente vocacionado em torno dos assuntos regionais, já que são eleitos para desenvolver trabalho num território mais limitado.

O Algarve está cada vez mais dependente de factores que não controla. O dinamismo regional, ou a sua estratégia, passa muito pouco por cá. Resta-nos algumas empresas com dimensão, mas descapitalizadas e com deficiências tecnológicas e um pequeno comércio envelhecido. Esta é a nossa realidade.

Como acredito que o mercado deve funcionar o mais livremente possível, não posso deixar de reflectir sobre a estrutura produtiva do Algarve e o resultado da canalização de tantos recursos, designadamente comunitários, que não tiveram implicações concretas e absolutas em indicadores como, apenas a título de exemplo, o grau de instrução da população.

Vivemos de e para o turismo. É de facto uma vantagem competitiva desta região. As várias entidades procuram e insistem cativar mais deste investimento. É pacifico que a região necessita que sejam desbloqueados mais projectos de qualidade e em segmentos diferenciados. Mas, e o resto?

Recentemente o Algarve foi “galardoado” com a categoria de “getting ugly” pela National Geographic Traveler, ficando em 106 num universo de 115 destinos. É uma má publicidade, mas de facto, o Algarve litoral está a ficar cada vez mais descaracterizado. Resta-nos um outro, o rural, o tradicional, o ainda genuíno, mas esse ainda está esquecido…

Isto deve, a bem da nossa competitividade e imagem, servir para que as autoridades com competências ao nível do planeamento local, regional e nacional iniciem esforços para garantir a esta região um enquadramento de desenvolvimento que dê resposta a esta degradação que se vem sentindo desde que se permitiu Quarteira, Armação de Pêra, Monte Gordo e tantas outras cidades de betão.

O que nos leva a outro campo. Para quando o estabelecimento de políticas de atracção de alguma industria? De investimentos geradores de produção, que conduzam ao aumento da taxa (real) de emprego.

Deve caber às associações empresariais, às universidades da região e à sociedade civil o lançamento desse desafio!


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