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quarta-feira, agosto 20, 2003
 
Sobre os incêndios
Uma perspectiva realista

Venho reflectindo sobre este assunto desde há algum tempo. Já repararam que as florestas das empresa de celulose não são “atacadas” pelo fogo. Porquê? Porque têm um planeamento de emergência e apostam na prevenção.

A gravidade e proporções que este ano os incêndios têm assumido, com a morte de pessoas e a destruição de bens faz-me pensar que não tem sido feito um planeamento eficaz. Pensar que a culpa é do governo é uma falsa questão. A culpa é, muitas vezes, das pessoas. No caso das povoações e habitações dispersas, bastava que em volta destas fosse aberto um corredor de 30/40 metros para que o fogo, mesmo em condições extremas, fosse detido, evitando-se muitas vidas perdidas e tantas casas destruídas.

Perdoem-me a minha análise, mas a frio, o mais importante é que este ano sirva de desculpa para reformular os planos de emergência municipais e nacionais, a própria legislação, em especial obrigando a criação dos corta fogos em zonas residenciais e a manutenção da floresta limpa. Também os produtores florestais e a população que vive deste recurso, ou habita nas suas imediações, podem pensar como evitar esta calamidade. Podem não, devem!

Umas das frases mais ouvidas pelas vítimas remete à desgraça e à perda de tudo. Faz-me lembrar a fábula da formiga e da cigarra; em vez de pedir ao estado, porque será que não partilham o risco, através de seguros, ou associam-se em mutuas. Pelo menos, procurem salvaguardar as habitações, prevendo um eventual incêndio. Mas o português está dependente do estado, a intervenção excessiva provocou a total dependência. É o problema da mão invisível, que está tão visível.

Relativamente à limpeza da floresta, considero que os presos poderia prestar um valioso serviço na prevenção de fogos, pagando assim as suas dívidas para com a sociedade, já que a privação da liberdade, na minha opinião, não é suficiente. O serviço comunitário deveria fazer parte da “terapia” de reinserção social e ocupação de tempo. Penso também que algumas penas menores poderiam ser convertidas na prestação deste serviço.

Quem recebe o Rendimento Mínimo Garantido, deveria também contribuir para a limpeza e vigilância das florestas.

Também quem aufere um subsídio de desemprego deveria ter que optar entre formação profissional ou serviço cívico, receber sem trabalhar desmoraliza e produz mais efeitos perversos do que estar ocupado. Sem prejuízo da procura de emprego, penso que nestes períodos críticos (i.e. o verão) a vigilância de florestas poderia ser uma valiosa contribuição.

Relativamente ao esforço que tem sido feito na requalificação das Forças Armadas, considero essencial que o Exército e a Força Aérea disponha de uma força conjunta de emergência para intervenção rápida em caso de incêndios de grandes proporções, reconvertendo e adaptando aviões para que estejam aptos para, além das suas missões “normais”, combater o fogo; para além do esforço da coordenação operacional e gabinete de crise.

Um dos índices de sub-desenvolvimento está directamente relacionado com a forma de encarar as áreas florestais. Penso não ser um problema da direita ou da esquerda, mas das condições climatéricas, da incúria, do crime, demência e essencialmente da falta de respeito e fundamentalmente planeamento.

Já agora, penso que as penas para os criminosos que perpetram estes crimes deveriam ser agravadas, ao nível dos 20 anos de detenção, com uma pena efectiva mínima de 10 anos. Quem não quer, não queima...



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