vialgarve
Visite a nossa página vialgarve
segunda-feira, dezembro 29, 2003
 
FRENTE E VERSO - RUBRICA DO JORNAL BARLAVENTO, 23/12/2003

A interrupção voluntária da gravidez volta à ordem do dia.
A lei deve ser alterada sem ser feito um referendo. Porquê?


Se não houver um consenso geral, a minha resposta é não. Se o fizermos sem esse pressuposto, estaremos a desvirtuar o resultado do referendo, inferiorizando a resposta que foi dada pela maioria dos portugueses que votaram. Aliás, sobre a consulta de há cinco anos, aproveito para dizer também que, apesar de não me incluir na percentagem vencedora, facto que me dá outra legitimidade para a opinião que aqui escrevo, não aceito que coloquemos em cima da mesa algo mais parecido com problemas aritméticos, suposições e um certo “folclore político”, do que com as questões que deveriam ser discutidas.
Votei sim no referendo de 1998. Entendo que o voto é secreto. Mas não posso deixar de cometer aqui uma pequena inconfidência. Antes de votar, quis saber a opinião da minha mulher, pois entendia que era ela, em primeiro lugar, que deveria ser o garante da solução de algumas das minhas próprias questões. Foi por assim dizer um voto a meias, não pela falta de coragem, mas pelo respeito que lhe tenho enquanto pessoa e, fundamentalmente, enquanto mulher. Em consciência assim o fiz…
Hoje, a propósito do julgamento de Aveiro, o tema que não foi esquecido pela esquerda parlamentar (em certos casos não pelo tema em si mas por uma certa ideia de vingança), volta a ser notícia.
É claro que não concordo com a criminalização daquelas mulheres. Entendo o aborto como um acto de último recurso, misturado com fortes sentimentos muito caros a cada mulher. Por outro lado, convém dizer que o Dr. José Miguel Júdice tem razão, isto é, não podem haver leis que todos sabemos que existem mas não são cumpridas.
Julgo que pela especificidade do tema e pela sua importância, só uma discussão muito séria e esclarecedora, aliada num consenso parlamentar, conseguiriam ultrapassar este impasse, o que poderia então, quiçá, resultar numa alteração da lei ou numa nova consulta aos portugueses.
Sem estes pressupostos, continuo a reconhecer a legitimidade do referendo feito há cinco anos. Nesta perspectiva, seria perigoso até fazermos referendos atrás de referendos para chegarmos ao resultado que pretendemos. Todavia, continuam a existir casos de mulheres que fazem a IVG. em condições sub humanas, colocando em sério risco a sua saúde física e psíquica. Este é o dilema que todos temos pela frente.
Por mais que não defenda a IVG como o simples acto de rejeitar o que não queremos, sei que há alguns casos que merecem uma análise profunda. Nessa altura, só a mulher ou o casal poderão decidir qual a melhor atitude a tomar. Esta, não deverá nunca estar dependente do dinheiro que têm e do uso que lhe podem dar. Trata-se de uma liberdade de escolha. Uma escolha que nenhum de nós tem o direito de criticar ou condenar criminalmente.
O tempo é de natal. As tão propaladas palavras de união, perdão e sentimento poderiam iluminar os nossos líderes políticos, dando-lhes a capacidade para aqui e acolá, cederem um pouco nas suas posições, em nome das mulheres e de situações que podem acontecer a qualquer uma delas. Porque, se calhar, o problema é mesmo esse…
Alguns teimam em pensar que só pode acontecer aos outros.
segunda-feira, dezembro 22, 2003
 
Feliz Natal e um Próspero Ano Novo

Boas Festas
sexta-feira, dezembro 19, 2003
 
Artigo publicado no dia 11 de Dezembro no Jornal do Algarve:

POR FALAR NO ALGARVE…

Ficou-me na memória o artigo de José Luís Lança, publicado na edição de treze de Novembro deste jornal, com o título “Um novo rumo para o Algarve”.
Confesso-o sem rodeios. O artigo, tal como outros que têm sido publicados amiúde, deveriam ser de leitura obrigatória, e mais, deveriam ser o mote para uma reflexão.
Dir-me-ão alguns que tais palavras não passam de um grito de revolta apaixonado, sentido, quiçá, sectário e igual a tantos outros. Respondo, sem ter a pretensão de ser o advogado do autor, missão para a qual não estou mandatado, que as centenas de caracteres impressos são o testemunho de um sentimento próprio de quem, como eu, entende ser necessário, de facto, um novo rumo para a nossa região.
O que foi redigido sobre o interior algarvio, fruto do que se passou no Congresso da Serra do Caldeirão poderia ser, também, o mote para enumerar outras necessidades, noutros locais algarvios, visando desta forma, “um novo modelo de desenvolvimento”.
Seja em que quadrante for, essa mudança, tem que ser exigida. Com voz firme e ciente do que está em jogo, isto é, o futuro de todos nós e da nossa comunidade ou comunidades, palavras que deverão entrar no nosso léxico brevemente.
Uma mudança que depende muito de nós e da nossa atitude. A ideia de que somos marginalizados, vítimas de ostracismo e vetados ao abandono por parte do poder central, apesar de ser muitas vezes real e perceptível, é insuficiente. Trata-se de um argumento, que embora verdadeiro, e aqui não interessa saber qual foi o partido que mais beneficiou ou prejudicou o Algarve, sob pena de entrarmos numa discussão separatista e estéril, não justifica a tal lassidão, invocada pelo jornalista Carlos Albino Guerreiro, com a qual concordo, sendo a mesma responsável pelo Algarve que hoje conhecemos.
Não temos líderes regionais que nos unam e criem uma vaga de entusiasmo político e social. Não temos vozes que nos defendam no Terreiro do Paço. Não temos uma ideia de região (a meu ver, tal nada tem a ver com a não aprovação da lei que consagrava a regionalização), nem a ousadia/capacidade para colocar o Algarve em primeiro lugar. Não somos sequer capazes de falar uns com os outros, tentando encontrar plataformas de convergência, pois estamos demasiado ocupados com guerrilhas entre os diferentes burgos, esquecendo desta forma o mais importante, o todo, ou seja, o Algarve.
São estes factores que têm contribuído para que seja, desde há muito, um crítico da falta de visão e por não conseguirmos entender que o Algarve nos une, independentemente de quaisquer diferenças que possam existir.
Resta-nos por isso, a meu ver, uma reacção lógica: a auto-reflexão. Só essa nos poderá ajudar a concluir que a lassidão é, antes do mais, uma responsabilidade que devemos assumir e o ponto de partida que explica o cenário acima descrito.
Quero começar por dar o exemplo. Por mim, peço desculpa pelo esforço que poderia, por ventura, ser maior em prol da região. Admito que acuso os outros, mas quero reconhecer publicamente, talvez com a humildade que faltará a muitos, que não rejeito a minha quota-parte de responsabilidade pela omissão.
Ao reconhecer isso, tenho a obrigação de tentar ser mais útil. Com a mesma certeza com que escrevi estes últimos parágrafos, sei que não devemos desistir de uma região equilibrada entre o interior e o litoral (cada qual com as suas especificidades), economicamente forte se aproveitar a diversidade das suas potencialidades e capaz de ser reconhecida como uma região geograficamente definida (que já o é), mas com gente que a defende com unhas e dentes se necessário, ciente da importância que o Algarve deve merecer a par da sua história, dos seus valores e tradições.

quarta-feira, dezembro 10, 2003
 
As casas que caem e as Câmaras Municipais

Há uns dias caiu uma casa em Olhão e morreram duas pessoas. Ontem a CM Olhão vedou uma outra casa em perigo de derrocada. Na rua as pessoas diziam que foi preciso morrerem duas pessoas para a CM tomar medidas...

Certa ou errada, esta é a ideia que fica. E ainda fica uma ideia de termos Câmaras Municipais com muita gente e pouca capacidade. Li há uns tempos que mais de 60% dos funcionários municipais do País têm menos do 9º ano. Importa que as Câmaras começem a apostar em ganhar competências, investir nos recém-licenciados e fazer deles peças-chave no processo de mudança organizacional que se exige.

Powered by Blogger

Weblog Commenting by HaloScan.com