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sexta-feira, junho 20, 2003
 
Proteger o Algarve? De quem?

Com o início do Verão e o aparecimento do calor começam as enchentes da praia e dos respectivos acessos (de que adianta termos dezenas de excelentes praias se levamos uma imensidão de tempo a lá chegar e outro tanto a de lá sair, por vezes por caminhos que mais parecem de cabras?). No entanto nem só de praia vive o verão. Refiro-me aos incêndios que costumam esperar por esta época para aparecer em força. Apesar do esforço heróico dos nossos bombeiros e dos parcos meios de acção e de prevenção que é sabido existir, estes ainda assim conseguem na maior parte das vezes evitar que autenticas catástrofes aconteçam (à boa maneira portuguesa do desenrasca, somos melhores a reagir do que a proagir), estes não deixam de existir e de consumir centenas de hectares por ano.

O Algarve é das regiões do pais mais protegidas no que à ocupação do solo diz respeito. Ele são os Parques Naturais (Sapal de Castro Marim, Parque Natural da Ria Formosa, Costa Vicentina, etc), Zonas de Reserva Agricola e Ecologica, Zonas Florestais e por ai fora, num conjunto de instrumentos que existem para preservar e manter sustentável o território. O PROTAL, que se encontra actualmente em revisão, é o instrumento mãe de todas as políticas de ocupação do solo algarvio, e através dele ficamos a saber de que forma pudemos ocupar o solo, quais as políticas e estratégias a seguir para um melhor usufruto do mesmo e uma melhoria das condições e qualidade de vida das populações. No entanto todas as medidas e condicionantes que resultam deste instrumento de planeamento são muitas vezes perversas pela forma como são interpretadas, nomeadamente por alguns fundamentalistas ecológicos.

Na verdade algumas destas áreas protegidas não são, hoje em dia, mais do que autenticas lixeiras e depósitos de resíduos de toda a espécie. Este facto contribui, e muito, para que estes sejam os princípais responsáveis pelo início e propagação dos incendios. Para referir um exemplo que conheço melhor, vejamos o caso do Pontal - denominado o pulmão do concelho de Faro, que está nos tempos que correm votado ao abandono e que teve na passada 2ª feira o primeiro dos incéndios da época. Apesar da autarquia farense, e bem, efectuar pontualmente operações de limpeza na zona, e de após este primeiro fogo, ter apresentado o objectivo de criar um posto de vigilia permanente, ninguém sabe muito bem como é que se vai devolver aquele espaço à população. Refiro-me naturalmente à qualificação e reabilitação desta área para lazer e usufruto, quer através de circuitos de manutenção, parques de merendas, um observatório do Parque Natural da Ria Formosa para algumas espécies, quer até para a edificação de um projecto imobiliário, que, naturalmente, tenha em consideração baixos níveis de densidade populacional e que não descaracterize o Pontal e sua envolvente.

A ocupaçao do solo para desenvolvimento de determinadas actividadas económicas é, quando feita com as devidas salvaguardas, um factor de desenvolvimento, criando postos de trabalho, complementando a oferta turística, combatendo a sazonalidade, fixando a população. Haverá melhor forma de evitar incêndios numa floresta do que lá construir casas de madeira para habitação?

Posto isto fica a pergunta: Proteger o Algarve? De quem?


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